A forma como as pessoas pesquisam produtos, serviços e informações está mudando. E essa transformação começa a ter impactos cada vez mais claros também no mercado imobiliário.
Para uma parcela crescente dos consumidores, principalmente entre os mais jovens, a jornada de descoberta já não começa necessariamente em um mecanismo tradicional de busca.
Redes sociais, vídeos curtos, recomendações de criadores e conteúdos visuais passaram a funcionar como portas de entrada para diferentes tipos de pesquisa.
Uma reportagem publicada pelo portal Enfoco destaca justamente essa transformação no comportamento da Geração Z. Em vez de recorrer apenas aos navegadores, jovens utilizam plataformas sociais para buscar restaurantes, roupas, viagens, tutoriais e tendências, privilegiando respostas rápidas e conteúdos visuais.
O que isso tem a ver com o mercado imobiliário?
Cada vez mais, tudo.
A geração que pesquisa diferente também quer comprar imóveis
Os jovens não representam apenas uma audiência futura para o setor.
Segundo pesquisa da Brain Inteligência Estratégica divulgada em agosto de 2026, 67% dos brasileiros entre 21 e 28 anos declararam intenção de adquirir um imóvel.
Foi o maior índice registrado entre todas as gerações analisadas no levantamento.
O dado ajuda a desconstruir a percepção de que os jovens teriam perdido o interesse pela casa própria.
A intenção existe. O que mudou foi a forma como essa nova geração se informa, avalia possibilidades e toma decisões.
A jornada de compra começa antes do contato com o corretor
Durante muito tempo, a comunicação imobiliária esteve concentrada em anúncios, classificados, portais especializados, estandes de vendas e atendimento direto de corretores.
Esses canais continuam importantes.
O que mudou foi a quantidade de etapas que podem acontecer antes deles.
Hoje, um potencial comprador pode conhecer um empreendimento enquanto navega pelo Instagram.
Depois, pode pesquisar vídeos sobre o bairro, procurar avaliações, assistir a um tour do apartamento, buscar informações sobre financiamento e comparar outros projetos.
Somente depois desse percurso ele poderá preencher um formulário ou iniciar uma conversa com um corretor.
A presença digital passa, portanto, a acompanhar uma parte muito maior da jornada.
Vídeo ganha protagonismo
Pesquisas internacionais sobre compradores das gerações Z e Millennial também demonstram a força desse comportamento.
No NextGen Homebuyer Report 2026, o YouTube apareceu como a principal plataforma utilizada para obter informações sobre o processo de compra de imóveis, citado por 53% dos entrevistados.
Entre a Geração Z, 36% afirmaram utilizar o TikTok para educação sobre compra de imóveis e 33% indicaram o Instagram.
Os números reforçam uma característica importante do novo consumidor: ele não quer apenas receber informações sobre um produto.
Ele quer visualizar, compreender e explorar.
O imóvel precisa virar conteúdo
Para construtoras e incorporadoras, essa mudança representa uma oportunidade de ampliar a maneira como os empreendimentos são apresentados.
Uma estratégia de comunicação pode incluir, por exemplo:
- vídeos mostrando apartamentos e áreas comuns;
- tours virtuais;
- conteúdos sobre o bairro e a infraestrutura da região;
- bastidores da construção;
- explicações sobre financiamento;
- informações sobre arquitetura e sustentabilidade;
- comparações entre plantas;
- acompanhamento da evolução da obra;
- conteúdos educativos sobre a compra do primeiro imóvel.
Quanto mais informação relevante estiver disponível ao longo da jornada, mais preparado poderá chegar o consumidor ao momento da negociação.
Corretores também passam a atuar como produtores de informação
A transformação não envolve apenas as empresas.
O papel do corretor também está mudando.
Além de apresentar imóveis, o profissional pode utilizar o ambiente digital para compartilhar conhecimento sobre mercado, bairros, documentação, financiamento e tendências.
Nesse cenário, conteúdo passa a ser uma ferramenta de construção de autoridade e confiança.
Para um consumidor que faz grande parte de sua pesquisa antes do primeiro contato comercial, encontrar informações claras e confiáveis pode influenciar inclusive a escolha do profissional com quem deseja conversar.
Não existe mais apenas um canal de venda
Talvez uma das principais mudanças seja justamente essa.
A jornada imobiliária deixou de ser linear.
O comprador pode descobrir um empreendimento no Instagram, pesquisar o endereço em outra plataforma, assistir a vídeos no YouTube, visitar um portal imobiliário, acessar o site da construtora e só então entrar em contato pelo WhatsApp.
Nenhuma dessas plataformas necessariamente substitui a outra.
Elas se complementam.
Por isso, a discussão para as empresas do setor não deve ser simplesmente sobre “qual rede social usar”, mas sobre como construir uma presença coerente nos diferentes pontos de contato com o consumidor.
Estar onde o cliente está é apenas o começo
A transformação digital não significa que toda construtora precise seguir cada nova rede ou tendência.
Significa compreender o comportamento do público que pretende alcançar.
Estar presente sem produzir conteúdo relevante pouco acrescenta à experiência do consumidor.
O verdadeiro desafio está em transformar a presença digital em informação, confiança e relacionamento.
Para construtoras, incorporadoras, imobiliárias e corretores, acompanhar essa mudança será cada vez mais importante.
A nova geração continua querendo comprar imóveis.
O que está mudando é o caminho que ela percorre até chegar à decisão de compra.

